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CADEIRA 3: Raimundo de Moura Britto

Cadeira 3 - DR. RAIMUNDO DE MOURA BRITTO


(1909-1988)

Nasceu em Natal, capital do Rio Grande do Norte. Em 1934, tornou-se médico pela Faculdade Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro, então, Distrito Federal. Especializou-se em cardiologia e cirurgia cardiovascular.

Iniciou sua carreira em cirurgia no Hospital da Cruz Vermelha Brasileira, Rio de Janeiro, e ali trabalhou de 1934 a 1953, além de ter atuado em outros hospitais, quando ocupou cargos da administração pública na área de saúde. Naquela ocasião, foi docente da Faculdade Nacional de Medicina, examinador do Departamento Administrativo do Serviço Público (Dasp) e médico da Prefeitura do Rio de Janeiro, na ocasião, Distrito Federal.

Em abril de 1947, tornou-se diretor do Hospital dos Servidores do Estado (HSE) cargo em que permaneceu até 1951. Em 1948, representou o HSE no XIX Congresso Anual da Associação Argentina de Cirurgia.

Em 1949, foi indicado pelo governo federal para estudar as organizações hospitalares americanas. Em 1950, lecionou no III Curso Internacional de Organização e Administração de Hospitais, promovido pela Repartição Sanitária Pan-Americana. A partir daquele ano, dirigiu por um quadriênio a Inter-American Hospital Association. Em 1951, lecionou no curso de organização e administração de hospitais, patrocinado pelo Departamento Nacional de Saúde, ao qual prestou seus serviços até 1952. Neste último ano, participou da delegação chefiada pelo Vice-Presidente da República, João Café Filho – de quem era médico particular e amigo.

Com o suicídio do Presidente Getúlio Vargas em 1954 e a posse de Café Filho na Presidência da República, foi nomeado diretor do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado (Ipase).

Em outubro de 1955, foi intermediário junto a Café Filho de uma consulta feita por líderes do Partido Social Democrático (PSD), interessados em saber se este aceitaria os resultados das eleições presidenciais realizadas naquele mês, que indicavam como vitoriosa a chapa Juscelino Kubitschek-João Goulart. Café Filho, segundo relatou em suas memórias, garantiu que empossaria os eleitos.

Em 1955, o Presidente Café Filho sofreu distúrbios circulatórios, e Raimundo de Britto prestou-lhe assistência no HSE. Dias depois, tinha seu estado clínico controlado. Após a avaliação feita por uma junta médica, Britto indicou repouso por algum tempo sob cuidados médicos. Devido a esse evento, houve transmissão da presidência a Carlos Luz que, à época, era Presidente da Câmara dos Deputados. Entretanto, três dias depois da posse, o General Henrique Teixeira Lott, Ministro da Guerra, depôs Carlos Luz. Afirmou que tal medida era imprescindível para bloquear uma conspiração que estava em formação no governo e, assim, garantir a posse de Juscelino Kubitschek. A chefia do País foi então entregue a Nereu Ramos, Vice-Presidente do Senado, o indicado na sequência sucessória.

No dia 21 de novembro 1955, Raimundo de Britto integrou nova junta médica que declarou Café Filho apto a reassumir a presidência. No dia 22, porém, por orientação vitoriosa em 11 de novembro, o Congresso aprovou o impedimento de Café Filho e confirmou a investidura de Nereu Ramos no governo federal. No dia 25, após um incidente com o novo Ministro do Trabalho, Nélson Omegna, Raimundo de Britto demitiu-se da presidência do Ipase.

De 1959 a 1961, Britto foi Presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e membro da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro e de outras entidades científicas. Tornou-se Vice-Presidente da Associação de Docentes da Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil e Secretário do Serviço Social da Cruz Vermelha Brasileira.

Em outubro de 1962, foi eleito deputado à Assembleia Legislativa do recém-criado Estado da Guanabara com legenda da União Democrática Nacional (UDN). Antes de iniciar o mandato, foi nomeado pelo Governador Carlos Lacerda para o cargo de Secretário de Saúde do Estado.

Após o movimento político-militar que derrubou o governo de João Goulart em 31 de março de 1964, Raimundo de Britto foi convidado pelo novo Presidente da República, Marechal Humberto Castelo Branco, para assumir o Ministério da Saúde. Tomou posse como Ministro em 15 de abril de 1964. Em 5 de junho de 1965, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal.

Seu nome foi lembrado para candidato da UDN à sucessão de Carlos Lacerda em 1965, mas fora Carlos Flexa Ribeiro o indicado. Com a extinção dos partidos políticos decretada pelo Ato Institucional n.º 2, em 1965, e a posterior instauração do bipartidarismo, Britto integrou o grupo de udenistas que preferiu ingressar na Aliança Renovadora Nacional (Arena), diverso do bloco lacerdista que aderiu ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Deixou o Ministério da Saúde em março de 1967, quando terminou o mandato de Castelo Branco.

Retornou, então, à iniciativa privada no Rio de Janeiro. Foi diretor da Rio Clínicas e Diretor do Hospital das Clínicas do Rio de Janeiro. No decorrer de suas atividades políticas e médicas, Raimundo de Britto publicou cerca de 280 títulos voltados a trabalhos científicos, conferências, comunicações e livros entre os quais se destacam: Cirurgia das Veias; Tática e Técnica Cirúrgicas da Mama; Paratireoidectomia no Reumatismo Crônico; O Pré-Operatório nos Bócios Tóxicos; Câncer e Tireoides; Hiperparatireoidismo; Bócios Endotorácicos; Megacolo e Vitamina B.

(Fonte: Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, Fundação Getúlio Vargas, on-line)

CADEIRA 3: Raimundo de Moura Britto
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