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CADEIRA 36: Ovídio Borges Montenegro

Cadeira 36 - DR. OVÍDIO BORGES MONTENEGRO


(1916-2003)

 Nascido em Assú, Rio Grande do Norte, no dia 13 de agosto de 1916. Grande parte de sua educação escolar foi realizada em seminário católico, do que lhe resultaram a disciplina, o gosto e o hábito voltados aos estudos e lhe propiciaram a formação moral e ética que norteou sua vida profissional. Diplomou-se em 1942 pela Faculdade de Medicina do Recife, atual Universidade Federal de Pernambuco. Interessou-se pela clínica médica e aprimorou seus conhecimentos no Instituto de Cardiologia de São Paulo, hoje Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, onde passou dezoito meses. Nesse período, colaborou na elaboração de trabalhos científicos com publicação destes em renomados periódicos internacionais, o que solidificou sua formação científica.

Após termino de seus estudos em São Paulo, veio a residir em Recife e integrar-se ao trabalho como cardiologista no Instituto de Cardiologia de Pernambuco sob a orientação do Professor Fernando Simões Barbosa. Ainda jovem, dedicou-se à atividade privada em consultório junto ao Prof. Newton de Souza e manteve essa parceria durante quase toda sua vida profissional. Tendo em vista seus esforços pautados em sua educação ética e científica, tornou-se amplamente reconhecido e granjeou liderança em sua especialidade ainda em desenvolvimento na região. Atuou como médico do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Industriários (IAPI), que posteriormente passou ao Inamps. Como servidor público soube atender seus doentes sem distinções e com respeito pelos menos favorecidos.

Em suas atividades como docente, participou como professor da primeira cadeira de Clínica Médica no Instituto de Cardiologia de Pernambuco. Embora morasse em Recife, dedicou prestimosa atenção ao seu estado natal, com intensa participação nas ações de fundação da Universidade do Rio Grande do Norte, particularmente de sua faculdade de medicina. Passou, então, a partilhar suas atividades em Natal e Recife e a dedicar-se ao ensino com profundo interesse. Sua reputação tornou-se considerável, o que reforçou suas ações nesses dois núcleos de atividade. Sempre gostou de trabalhar entre colegas e alunos e sempre demonstrou grande afinidade como o ensino ao lado de seus pacientes ou em reuniões para o estudo de casos clínicos.

Por iniciativa própria, organizou o curso de especialização em cardiologia no Serviço de Cardiologia do Inamps o qual também ajudou a organizar no Hospital Oswaldo Cruz nos anos setenta. Recentemente, esse curso transformou-se em residência médica de cardiologia. Durante os muitos anos de existência deste programa, numerosos cardiologistas tiveram ali sua formação.

No Hospital Oswaldo Cruz, empenhou-se em fundar o pronto-socorro de cardiologia e a primeira unidade coronária pública do Estado. Sua visão social sobressaiu nitidamente com a realização desses eventos, uma vez que concorriam com sua clínica particular.

As unidades coronárias constituíram sólido avanço no tratamento de pacientes com distúrbios coronarianos. Dr. Ovídio vislumbrou a possibilidade de dotar Recife desse desenvolvimento cardiológico. Junto aos seus pares, empenhou-se na fundação do Procárdio, pronto-socorro cardiológico privado, que se tornou reconhecido e de uso consolidado por grande procura, que ultrapassou a geração de seus fundadores.

Dentre suas atividades paraprofissionais, participou eficientemente da fundação da Sociedade Brasileira de Cardiologia em 1943. Foi homenageado junto a renomados pares no Jubileu de Ouro da instituição por ocasião do XLIX Congresso da SBC em Belo Horizonte.

Em razão de suas atitudes de dedicação pessoal e humanitária à medicina, de sua dignidade e de seu procedimento ético profissional, as comunidades em que atuou concederam-lhe numerosas homenagens, entre as quais se destacam a medalha Maciel Monteiro, conferida pela Sociedade de Medicina de Pernambuco; a medalha São Lucas, outorgada por entidades médicas de Pernambuco em conjunto, ou seja, Sindicato, Sociedade de Medicina, Conselho Regional de Medicina de Pernambuco, Cremepe; a Comenda do Mérito Militar Grande Oficial, pelo Ministério do Exército; Medalha do Mérito do Recife, pela Prefeitura do Recife. Teve seu nome atribuído ao ambulatório do Hospital Oswaldo Cruz e à biblioteca do Pronto-Socorro Cardiológico de Pernambuco.

Por sua personalidade forte, mas com valorização do diálogo, por sua extensa cultura médica e geral, mas de hábitos simples, foi convocado a cuidar profissionalmente de relevantes personalidades do Nordeste e, por esse caminho, alcançou expressão nacional. Destacou-se por postura ética, prudente e ponderada em suas decisões, sempre pautadas em bases teóricas e práticas bem fundamentadas, construídas ao longo de leituras de publicações médicas e valorização dos conhecimentos científicos, sobretudo os relacionados à cardiologia e à clínica médica. Construiu a maior biblioteca privada de medicina clínica e cardiologia do seu meio, a qual fez questão de doar em vida ao pronto-socorro cardiológico da Universidade de Pernambuco.

A Cardiologia ficou de luto com a morte de Ovídio Borges Montenegro aos 86 anos de idade, ocorrida em 12 de julho de 2003. Finaliza um dos seus pares, Dr. Luiz Fernando S. de Oliveira — “Assim foi Ovídio Montenegro — um homem de hábitos simples, com profunda fé religiosa, uma vida longa e profícua. Poucos de sua geração tanto fizeram e tanto reconhecimento tiveram em vida. Deixa viúva D. Salésia Tavares Montenegro e seus quatro filhos: Nelson, Sílvia, Luciano e Sérgio. Este último, segue os caminhos paternos, desfruta de sólida reputação em seu ambiente, aliando às qualidades humanas uma incansável atividade associativa na SBC, mais fortemente no Nordeste, sendo o atual Presidente da SBC – Regional Pernambuco, pela segunda vez. Deixa nove netos, um dos quais, Carlos Eduardo, filho de Sérgio, cumpre graduação em Medicina, e constitui uma promessa do seguimento da tradição da família”.

(Fonte: Luiz Fernando Salazar de Oliveira, Sociedade Brasileira de Cardiologia, on-line)

CADEIRA 36: Ovídio Borges Montenegro
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