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CADEIRA 29: Isis Maria Quezado Magalhães

Patrono: Luiz Vénere Decourt


1º Ocupante: Luiz Antônio Ribeiro Introcaso (solicitou desligamento em 2010)


2º Ocupante: Cleire Paniago Gomes Pereira (solicitou desligamento em 2014)


Ocupante atual: Isis Maria Quezado Magalhães


Currículo:

Nasceu em 16 de novembro de 1955, Fortaleza-CE. Filha de Antônio Pedro Soares e Maria Quezado Soares.

Graduou-se em Medicina pela Universidade e Brasília (UnB) em 1979. Fez estágio em biologia molecular no Institute of Cancer Research – Leukaemia Research Fund Centre, Londres, Inglaterra (1998).

Dentre seus cursos pós-graduação de senso lato, listam-se residência médica em pediatria (1980-1981) na Unidade de Pediatria do Hospital de Base do Distrito Federal; especialização em hematologia (1982) na Unidade de Hematologia e Hemoterapia do Hospital de Base do Distrito Federal; especialização em oncologia (1986) no Departamento de Pediatria do Hospital do Câncer A C Camargo, São Paulo; especialização em gestão pela Fundação Dom Cabral (2008-2010). Especialista em oncologia pediátrica pela Sociedade Brasileira de Cancerologia (1997) e em hematologia pela Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (2004).

Em cursos pós-graduação de senso estrito, obteve os títulos de mestrado em ciências da saúde pela Universidade de Brasília, 1999, e de doutorado em ciências da saúde pela Universidade de Brasília e pelo Centro de Pesquisa do Instituto Nacional do Câncer, RJ (2005).

Quanto a atividades profissionais, é hematologista pediatra do Setor de Hematologia e Oncologia Pediátrica da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, Hospital de Base do Distrito Federal e do Hospital de Apoio de Brasília, DF, desde 1983; médica assistente da Unidade de Pediatra do Hospital Universitário de Brasília (1982-2004); Chefe do Núcleo de Oncologia e de Hematologia Pediátrica da Gerência de Atenção Médica e Assistencial do Hospital de Apoio de Brasília (2003-2011); médica Coordenadora do Serviço de Oncologia e Hematologia Pediátrica do Hospital da Criança de Brasíla desde 2011.

Dentre suas atividades paraprofissionais, citam-se: Coordenadora do Comitê Técnico da Associação Brasileira de Apoio as Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias (Abrace), Brasília-DF desde 1988; membro da Diretoria Executiva da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica em várias gestões; membro do Comitê Diretivo do Projeto Criança e Vida da Fundação Banco do Brasil e do Ministério da Saúde para apoio a ações em oncologia pediátrica (1998-2002); membro do Grupo Técnico de Hemoglobinopatias em Gerencia de Sangue e Hemoderivados, Ministério da Saúde Brasil (1998-2005); membro da Câmara de Assessoramento para formulação de políticas de sangue, componentes e hemoderivados, Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, desde 2010; Diretora Técnica do Hospital da Criança de Brasília desde 2011; Active Investigator National Cancer Institute, Bethesda, USA (1993) e External Advisory Board Children´s Cancer Hospital, Barretos-SP (2015); Integra os quadros das sociedades cientificas: Sociedade Brasileira de Pediatria, Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica, Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, Société Internationale D’Oncologie Pédiatrique e American Society of Hematology.

Dentre suas atividades de ensino, citam-se: preceptoria no programa de residência médica, área de pediatria, Hospital de Base do Distrito Federal (1982-1988); preceptoria no programa de residência médica área de hematologia, Hospital de Base do Distrito Federal Brasília (1995-2009); preceptoria no programa de residência médica na área de hematologia, Hospital de Base do Distrito Federal, Brasília DF e Hospital da Criança (2016-2018); preceptoria no programa de residência médica, área de hematologia, Hospital da Criança de Brasília (2019).

Professora convidada para aulas de Hematologia no curso de Medicina da Universidade de Brasília (1992 a 2004); professora convidada do curso de Medicina da Escola Superior de Ciências da Saúde (Fepecs, SES); coordenação pedagógica do mestrado interinstitucional em ginecologia da Fepecs, Distrito Federal e da Unesp, Botucatu (2009-2011).

Dentre as orientações prestadas em iniciação científica e mestrado, elencam-se: Programa de Pós-Graduação (mestrado) em ginecologia, obstetricia e mastologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp); Programa Hospital da Criança de Brasília; Programa de Pesquisa para o SUS (PPSUS).

Integrou bancas examinadoras de concursos públicos para residência médica em pediatria, área de hematologia no Hospital de Base do DF desde 1993 e para médico hematologista da Fundação Hospitalar do DF (1996).

Participou de quatro bancas examinadoras, em grau de mestrado, pelas instituições: Universidade Federal de Minas Gerais (2008); Universidade Federal de São Paulo (2010); Universidade Católica de Brasília (2012); Universidade de Brasília (2018).

Participou de quatro bancas examinadoras, em grau de doutorado, pelas instituições: Universidade Estadual de Campinas (2006); Universidade de Brasília, (2013 e 2014); Universidade Federal de Minas Gerais (2016).

Participação e coordenação de cursos e de comissão científica de congressos: Treinamento em Cito-Histologia de Medula Óssea: enfoque em mielodisplasias – Brasília-DF (2002); Congresso Brasileiro de Hematologia Rio de Janeiro (2005); Congresso Brasileiro de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, Brasília DF (2013); Presidente do XIV Congresso Brasileiro de Oncologia Pediátrica; I Jornada de Cuidados Paliativos em Pediatria, promoção do Hospital da Criança de Brasília e do Hospital Regional de Ceilândia, Brasília-DF (2017); membro da comissão científica do XVI Congresso Brasileiro de Oncologia Pediátrica, Foz do Iguaçu, Paraná (2018).

Brasilia Children Hospital: Public and Private Partnership Opportunities and Challenges. MPA Global Policy Experience in Brazil; Fundação Dom Cabral e Brown University, Brasília (2017); Partnership Between Community and Goverment of Federal District; FIOCRUZ and London School Collaborative Project Visit (Prof. Hanna Kupper), Hospital da Criança de Brasília (2017); Das Tecnologias Duras às Tecnologias Leves: Desafios da Alta Complexidade. Congresso Brasileiro da Criança em Condições Complexas de Saúde (2018); Abordagem Onco-Hematológica na Síndrome de Down, Avanços no Tratamento, na Tecnologia e no Suporte ao Paciente; II Forum Nacional Sobre Câncer; Hospital da Criança de Brasília, Modelo Singular, III Semana de Capacitação e Aperfeiçoamento em Controle Interno. Controladoria Geral do Distrito Federal, Brasília (2018).

Como produções literárias relevantes, citam-se dentre muitas, os artigos: Clinical and Pathological Aspects of Acute Leukemia and Down Syndrome in Childhood in Brazil, publicado em Pediatr Blood & Cancer, 2005; GATA1 Mutations in Acute Leukemia in Children with Down Syndrome, publicado em Cancer Genetics Cytogenetics, 2006; Molecular and Chromosomal Mutations Among Children with B-Lineage Lymphoblastic Leukemia in Brazil’s Federal District, publicado em Genet Mol Res, 2009; Challenges in the Use of NG2 Antigen as a Marker to Predict MLL Rearrangements in Multicenter Studies, publicado em Leuk Res, 2011; Screening for GATA1 Mutations in Newborns with Down Syndrome, publicado em Genet Mol Res, 2013; The Distribution of MLL Breakpoints Correlate with Outcome in Infant Acute Leucemia, publicado em British Journal of Hematology, 2013; Immunophenotyping with CD135 and CD117 Predicts the FLT3, IL-7R and TLX3 Gene Mutations in Childhood T-Cell Acute Leukemia, publicado em Blood Cells, Molecules and Diseases (2016); Novel Mutations Associated with Pyruvatekinase Deficiency in Brazil, publicado em Transfus Cell Ther, 2018.

Escreveu os capítulos de livro: Neoplasias Mieloide-SMD Entre Outras Predisposições Germinativas: Síndrome de Down. In: Leucemia Mieloide Aguda, Oncologia do Adolescente, Editora Atheneu; Púrpura Trombocitopênica Imunológica, em Hematologia Para o Pediatra. In: Hematologia e Hemoterapia Pediátrica, Atheneu, 2014.

Dentre as homenagens recebidas, elencam-se: medalha do Mérito Buriti, outorga do Governador do Distrito Federal, em 1994, 1999 e 2018; Menção Honrosa, outorgada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, 2005; título de Cidadão Honorário de Brasília, concedido pela Câmara Legislativa do Distrito Federal em 2006; Soroptimist International SI Brasília Mulher Destaque, 2007; prêmio Destaque Medicina Socialmente Responsável, pelo SindMédico, DF, em 2007; prêmio Destaque em Saúde, 2014; medalha da Ordem do Mérito Brasília, Grau Comendador, 2018; Honra ao Mérito 2018, pela Controladoria Geral do Distrito Federal.

Dentre suas realizações especiais, cita o trabalho à frente da Assessoria Técnica da Associação Brasileira de Apoio às Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias (Abrace), Brasília-DF desde 1988 e construção de modelo inovador de parceria da sociedade civil com o sistema público de saúde do Distrito Federal para melhora da assistência à saúde da criança com morboses terciárias. O Projeto do Hospital da Criança de Brasília foi concebido para otimizar em complexo único toda a tecnologia necessária ao diagnóstico e tratamento e à assistência integral à criança e ao adolescente.

Cita seu empenho na Estruturação do Serviço de Oncologia e Hematologia Pediátrica na SES-DF. Nascido como setor da Unidade de Pediatria da SES-DF, em 2003 recebeu a oficialização administrativa na SES como Núcleo de Oncologia e Hematologia Pediátrica, da Gerência de Atenção Médica e Assistencial do Hospital de Apoio de Brasília. Permaneceu ali por quinze anos até a transferência do serviço, em 2011, para o Hospital da Criança de Brasília.

Cita também o Projeto Criança e Vida, de iniciativa da Fundação Banco do Brasil (FBB) em parceria com o Ministério da Saúde e com a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope), que teve inicio em meado de 1997. Instada a colaborar no projeto, priorizou a grande necessidade de investimentos para o Brasil na área de diagnóstico. Convidada pela FBB para membro do Comitê Diretivo do Projeto, teve oportunidade de mapear e conhecer todos os centros com potencialidade para investimento em diagnóstico e tratamento em todo o território nacional.

Cita ainda, como motivo de realização, ter sido Presidente do XIV Congresso Brasileiro de Oncologia Pediátrica, cujo tema foi A Oncologia Pediátrica do Século XXI, que trouxe a pesquisa para a prática clinica. O encontro também teve repercussão política por produzir documento oficial intitulado Carta de Brasília com as considerações e as sugestões da comunidade científica, dirigidas aos órgãos governamentais referentes às necessidades da oncologia pediátrica nacional, publicada posteriormente na Revista Brasileira de Cancerologia, 2016.

Considera, dentre seus melhores momentos de realização profissional, os trabalhos do mestrado no laboratório de biologia molecular do Leukemia Research Center do Institute of Cancer Research, em Londres. Ali, descreveu a prevalência da fusão gênica TEL AML1 recém-descoberta por métodos moleculares na leucemia pediátrica em pacientes dos EEUU, da Europa e do Japão, mas desconhecida em populações latinas. No curso de doutorado no laboratório de pesquisa do Inca no Rio de Janeiro, estudou a identificação de mutações no gene GATA 1 em leucemias da síndrome de Down, como método diagnóstico. O inconformismo em não aceitar que a criança com câncer no Distrito Federal, se fosse socialmente favorecida, buscasse tratamento em São Paulo ou no Rio de Janeiro, como era a prática nos primórdios dos anos 80, e as demais recebessem tratamento de qualidade inferior, o que lhes ceifavam as possibilidades de cura, levou-a a estruturar um serviço de oncologia pediátrica na rede pública do Distrito Federal.

A construção técnica e profissional da oncologia pediátrica se entrelaça à história de ação social voluntária da Abrace. Esta aceitou as argumentações técnicas de unir o instituto do câncer infantil a um complexo mais amplo que envolva as outras especialidades pediátricas. Foi construída com recursos de doações da sociedade e apresenta-se como estrutura moderna, adequada e humanizada, dirigida ao público infantil e integrada à rede de saúde pública. Foi entregue à população brasiliense em novembro de 2011 com a designação de Hospital da Criança de Brasília.

Dra. Isis revela o caso mais impressionante entre seus doentes. Em 1996, foi chamada a uma maternidade de Brasília, para atender uma bebê prematura de apenas dez dias de vida com volumosa hepatoesplenomegalia e provável leucemia congênita. Clinicamente e laboratorialmente constatou-se leucemia mieloide aguda. Teoricamente seu único tratamento seria quimioterapia intensiva a ser feita segundo os protocolos da época, mas esta causaria intensa toxicidade durante o tratamento, e a bebê não suportaria nenhuma medida dessa linha naquele primeiro momento. Tal decisão seria muito difícil de ser tomada.

Os resultados dos exames citogenéticos da medula óssea, no entanto, mostraram trissomia 21. Se esta fosse constitucional e não uma alteração clonal, poderia ser uma síndrome mieloproliferativa transitória, conhecida como leucemia transitória da síndrome de Down. A literatura traz algumas publicações relativas ao tema. Essa entidade poderia evoluir com remissão espontânea sem uso de quimioterapia. Mas a criança não tinha o fenótipo de trissomia 21 constitucional.

Poderia aquele fenômeno ocorrer em neonados sem síndrome de Down? Havia três casos descritos na literatura mundial. Resolveu-se então tomar conduta expectante e esperar por essa possibilidade. Afinal, foi de fato uma leucemia transitória em neonado não Down e a bebê é hoje uma pessoa saudável! Provavelmente não teria sobrevivido se a conduta habitual tivesse sido tomada. O caso foi apresentado em vários fóruns nacionais; e os colegas foram unânimes em afirmar que teriam sim, iniciado o protocolo de leucemia mieloide aguda para a criança. O ensinamento advindo desse evento foi o mais marcante de sua trajetória profissional.

Sobre o que mais a incentivou a ser médica, afirma ter sempre tido especial admiração pela medicina e sente-se realizada e muito satisfeita em ter a oportunidade de poder ajudar as pessoas por meio de sua profissão.

Também é apaixonada por matemática, física e química, mas encontrou na medicina, especificamente na hematologia, a necessidade de satisfazer ambas as premências de unir a ciência e a técnica à pratica clínica humanitária e ambas foram fontes de grande realização.

Questionada se tem avô, pai, mãe ou algum filho(a) médico(a), registra que sua mãe, Maria Quezado Soares, foi médica, formada em 1949 pela Universidade Federal de Pernambuco. Exerceu pediatria clínica por cinquenta anos, sendo 25 em Fortaleza-CE e 25 em Brasília. Dedicou atenção especial à saúde pública, empenhou-se contra a desidratação e a desnutrição infantil. Dirigiu um centro público de toxicose e era reconhecida por sua luta em favor da população carente. Além da rotina de atendimentos, sempre conciliou a atividade médica com a rotina doméstica e os cuidados com seus cinco filhos. Clinicou até os 74 anos, sempre apaixonada pelo trabalho. Segundo Isis, a “trajetória de minha mãe foi para mim uma inspiração. Ela provou ser possível equilibrar a vida profissional e a pessoal, aliando-se o amor à profissão às responsabilidades com a família. Sou apaixonada pela profissão como também ela era”.

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